terça-feira, 2 de dezembro de 2008

você continua arranhando, batendo, empurrando a porta da minha casa.
acredita mesmo que te deixarei entrar?
a chuva lá fora se aproxima, o céu parece prestes a chorar. e eu deveria imaginar que você temeria as lágrimas. afinal, você fugiu quando comecei a chorar naquele fim de tarde, não é? lembra-se? o céu estava sangrando vários tons de vermelho. aquilo machucava minhas retinas... mas você, você me doía mais. e correu.
agora está aqui, parada frente à minha porta.
deixe-me entrar, vamos, por favor! não. não mais.
continue batendo, faça marcas de arranhões na madeira com suas unhas, suas garras.
as lágrimas vão eventualmente cair, chorar em você. e talvez você sangre tons de vermelho ofuscante...
mas dessa vez, não poderá correr.

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