domingo, 25 de outubro de 2009

cumprindo a promessa, aqui vai o texto que acabei de digitar!



Um final de tarde agradável naqueles verdes campos, apesar do calor que insistia em envolver a todos com seu abraço pesado. Solidão e Felicidade, ambas sentadas sob a sombra fresca de uma grande árvore cujo nome ninguém conhece. Felicidade brinca com os contornos do rosto de Solidão, aquele rosto tão frio e ao mesmo tempo tão embriagante. Solidão olha para o céu escarlate, desviando-se dos finos dedos de Felicidade. O sol fere seus olhos, apesar de estar já se despedindo por entre as nuvens. Tenta adivinhar formatos para as nuvens acima de sua cabeça. Não consegue. Só vê formatos difusos, como fantasmas desesperados, tentando em vão fugir de si próprios. "São apenas um reflexo de mim mesma, afinal...", pensa.
Fecha os olhos por um instante e fala, com a face ainda virada para a imensidão vermelha.
- Felicidade...
- Sim..?
Solidão inspira uma grande quantidade de ar e finalmente abre os olhos. Mas não consegue olhar para a delicada face da outra.
- Escute, eu estive pensando...
- Ah, Solidão!, você só faz pensar! Precisa aprender a precipitar-se no mundo! Você é graciosa demais para passar a vida cobrindo-se de pensamentos, que são tão cinzentos e tornam tudo tão mais complicado!
A Felicidade jamais gasta sua vida pensando. "Ela é tão imediatista", pensava Solidão.
- Precipitar-me no mundo... Tal ideia não agrada-me nem um pouco. A verdade é que o mundo precipita-se em mim. Ele me engole, sabe? O mundo - imerso nessa prepotência tão característica que não o deixa enxergar nada além de si próprio - não entende que eu nunca o quis como companhia. Nunca quis o Mundo, mas ele insiste em me perturbar...
- Mas essa sua vontade de viver à parte de tudo não é saudável, Solidão! O Mundo é enorme, certamente você aprenderia a apreciá-lo se tentasse!
- Só você já me basta, Felicidade. Apenas você, e isso sempre foi suficiente para mim. Você é mais grandiosa que o Mundo, mon petit.
Felicidade abre um sorriso. Gostava da maneira como Solidão sempre chamava-a de "mon petit". Solidão, desde a primeira vez em que colocou seus negros olhos na outra, pensou que só poderia chamar assim alguém que transbordava delicadeza e pureza como Felicidade.
Mas aquele sorriso que preenchia tudo não provocou aquele sentimento caloroso dentro de Solidão, como era de costume. Pelo contrário, deixou-a apreensiva. Teve vontade de correr, de fugir como já fizera tantas vezes. No entanto, forçou-se a permanecer ali, e continuou a falar:
- Estive pensando, eu dizia... Felicidade, acho que eu e você não podemos mais ficar juntas.
O olhar de Felicidade é de espanto e incredulidade. Seu sorriso estremece algumas vezes e finalmente desaparece.
- O que está dizendo, Solidão?!
- Seu lugar não é comigo, mon petit. Você sabe disso. Não posso mais forçá-la a ficar ao meu lado e, ah!, isso me dói tanto! Mas não é justo com você, e eu não quero nada nessa minha existência a não ser fazer-lhe bem, mesmo que isso signifique tirar de mim a única coisa... a única coisa com a qual me já me importei, sabe?
- Mas Solidão, você nunca foi capaz de obrigar-me a coisa alguma! Estive e estou aqui pois é segurando suas mãos e olhando seus olhos que quero passar o restante da minha eternidade!
Solidão desvia o olhar. Não sabia que seria tão difícil dizer adeus. Logo ela, que nunca se apegava a nada...
- Felicidade e Solidão não foram feitas uma para a outra. Felicidade, você é contagiante, é mais bela que qualquer obra divina! É seu destino conquistar tudo à sua volta, e ficar aqui comigo só lhe trará tristezas e decepções.
- Como você me decepcionaria, se só consigo existir por saber que você está comigo? Como me traria tristeza se todo o amor que trago dentro de mim é para você? Oh, Solidão, é você a mais bela de todas, e eu a amo tão profundamente, e é esse sentimento que me dá a certeza de que esses verdes campos serão sempre verdes e...
- Mon petit, até os mais verdes campos irão sucumbir ao cinzento e imperdoável poder do tempo um dia. Já disse, seu lugar não é ao meu lado. Eu sei... - Solidão engole em seco, buscando forças para prosseguir - Eu sei que você foi feita para viver e morrer ao lado da Paixão. É ela seu destino, é a ela que você ama. Eu sou para você apenas um atraso, e não há motivos para estar comigo quando seu coração sabe que... que são os lábios da Paixão que deveriam tocar seu rosto, não os meus.
- Não... Não é verdade! Eu e Paixão já não precisamos uma da outra, Solidão!
- Felicidade, você sempre precisará da Paixão. E, por mais que isso corte o coração que nunca tive até te conhecer, sei que nunca deixou de amá-la. E ela também nunca deixou de amar a minha Felicidade. Vocês eram... são... o encaixe perfeito uma da outra. Jamais pude evitar esse sentimento de que não conseguiria nunca ser tão boa para você como a Paixão fora. Ora, a Solidão não é capaz de completar a Felicidade! Já a Paixão...
- Solidão, isso não é... - a pequena deixava escapar um par de lágrimas daqueles olhos amendoados - Não é verdade...
Foi então que Solidão percebeu. Felicidade não seria capaz de libertar-se, não seria forte o bastante para romper as correntes sozinha. Por mais que amasse Paixão, não conseguiria abandonar Solidão. Fazia parte de sua natureza bondosa. Solidão voltou seus olhos negros para o céu. Já não havia nenhum tom de vermelho. Tudo era escuridão, mais uma vez refletindo seu estado de espírito. "É isso", pensou. Seria ela quem teria de dar o primeiro passo. Ou melhor, o último.
- Felicidade... - suspirou - A verdade é que estou farta de você.
A face da outra estampava perplexidade. Sentia-se como se estivesse caindo de um penhasco.
- O... quê...
- Não suporto mais a sua presença, sempre tão cheia de sorrisos e empolgação. Suas mãos quentes me sufocam, quando você me beija já não sinto coisa alguma. Me sinto entediada ao seu lado, fitar seus olhos me desperta desprezo. Você deveria saber: sou assim, é impossível modificar-me. Nasci para morrer no isolamento. Não preciso e não quero precisar de ninguém.
Felicidade estava paralisada, seus grandes olhos derramando rios por sua rósea face. Lembrava uma boneca de porcelana que caíra no chão e quebrara-se. "Tão linda...", Solidão não pôde deixar de pensar.
Aproximou-se da pequena e tocou seus suaves lábios pela última vez.
- Adeus, mon petit.
Levantou-se e partiu em direção ao horizonte, deixando a outra sem ação sob a gigantesca árvore.
Enquanto caminhava, esforçando-se ao máximo para não olhar para trás - pois sabia que, caso o fizesse, voltaria correndo para segurar a outra para todo o sempre -, repetia para si mesma "A Felicidade e a Solidão não nasceram uma para a outra... A Felicidade merece viver para sempre ao lado da Paixão, pois é ela o real amor da Felicidade".

Nesse momento, nem mesmo o profundo céu noturno sem estrelas era tão escuro e tão vazio quanto a alma da errante Solidão.





peço perdão pela repetição dos termos "Felicidade" e "Solidão". é que, como não queria retratá-las como pessoas, foram poucos os substantivos que encontrei para referir-me a elas no decorrer da história.
gostaria de lembrar que a caixa de comentários para críticas, elogios e xingamentos encontra-se no lado esquerdo da tela!

até mais!
resolvi dar as caras por aqui, finally! peço desculpas pelo sumiço de quase um ano. minha vida anda insuportavelmente corrida, mas não abandonei o blog não (ao menos não por vontade própria).
eeer... tirei walking after you do player pprque estava me deprimindo, haha! coloquei coeur de pirate, mas o html tava revoltado e resolveu começar a música pela metade e cortá-la depois de alguns segundos, ARGH! me irritei tanto que quase mudei de ideia sobre postar aqui!

textos saídos do forno (tão frescos, mas tão frescos que ainda nem os escrevi! ainda não saíram da minha mente, mas daqui a alguns segundos pousarão no bloco de notas, prometo!) nos próximos posts! :)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ano novo... template novo?!

ANO NOVO... TEMPLATE NOVO?!
quem precisa de uma vida nova, afinal?



todos nós sabemos que eu iria trocar o template em breve (eles parecem não durar mais que dois meses comigo!), então o papo de "ano novo" é apenas uma desculpa para eu mudar sem peso na consciência. :}
gostei muito desse, ele é totalmente oposto ao anterior - que era escuro, com navigators e letras minúsculas que estavam me irritando profundamente.
pretendo deixar esse por bastante tempo. eu sei que eu sempre digo isso, mas espero cumprir a promessa dessa vez, pois já não acho bons templates com a mesma freqüência de antigamente.

NEW STUFF

acrescentei um media player dessa vez! :D
quando testei, o autostart não estava funcionando (odeio quando HTML codes se viram contra mim), mas tentei arrumar mais uma vez, vamos torcer para que funcione!
a música escolhida foi Walking After You que, não preciso nem dizer, é tocada pela banda Foo Fighters! <3 p="p">amo essa música, assim como essa banda. mas, se nãoo faz seu estilo, o botão "pause" está ali para acabar com seu sofrimento. mas eu recomendaria ouvir ao menos uma vez, pois a música é linda.
vc pode dar uma olhada na letra aqui.
não é bom no inglês? leia a tradução aqui!
okay, esse foi meu acesso de boa vontade da semana.

ah, outra coisa que estive pensando em colocar no blog é uma tagboard...
nunca me senti confortável com essa idéia de ter comentários de pessoas que lêem meus textos no blog (sempre pensei que eles são ruins demais pra merecer comentários), mas algumas pessoas deram a idéia, então talvez eu coloque uma em breve.


acho que isso é tudo! :)
beijos, see y'all later!