quinta-feira, 22 de maio de 2008

ela sonhava com uma lagoa em frente à sua casa. ora, o certo seria sonhar com a casa, para principiar!
mas ela gostava de saltar sobre as regras, portanto sonhava apenas com o lago.
em seu lago haveria belos patos, daqueles com penagem verde-garrafa na cabeça. eles comeriam os pedaços de pão dados pela garota e nunca deixariam o lago.
ela ficaria maravilhada em dias de chuva fina, ao observar as gotas de água caindo na superfície do lago - uma metade de alma-de-água encontrando sua outra metade.
ela deitaria na grama verde da margem da lagoa, e olharia para o céu. e o céu a olharia de volta, brilhando em mil tons de azul. as nuvens sorririam para ela, tão suaves e sensíveis, se desfazendo com a brisa...
ao fim do dia, quando o sol estivesse prestes a dizer mais um adeus, a menina pularia na lagoa, com as roupas ainda vestidas. molharia seus lindos cachos loiros, e abriria seus olhos verdes dentro d'água. e então, submersa e de olhos abertos, fitaria novamente o céu, dessa vez pintado com todas as tintas da caixa. e, porque abrira seus olhos dentro da lagoa, o céu pareceria estar submerso também, e ela imaginaria-se nadando nele.

ela sonhava com uma lagoa. o que não sabia é que todos - os patos, a chuva, a grama, o céu, as nuvens, o pôr-do-sol e, principalmente, a lagoa - sonhavam com ela também, dia após dia.

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